Negra e pobre, pioneira em Olimpíada relembra dificuldades

Fabi Alvim e Aída dos Santos em debate Mulheres no Esporte - Rafael Bello/COB

Aída dos Santos, única representante feminina na delegação brasileira dos Jogos Olímpicos de Tóquio 1964, participou de um debate com o tema “Mulheres no Esporte”, nesta segunda-feira (25). Ao lado da bicampeã olímpica de vôlei, Fabi Alvim, e da gerente de projetos da ONU Mulheres, Carolina Ferracini, a ex-atleta de 82 anos contou sua história de superação e resistência de uma época em que as mulheres sofriam bastante preconceito no esporte.

O bate papo mediado pela diretora de Comunicação e Marketing do COB, Manoela Penna, fez parte da terceira edição do briefing para a imprensa e formadores de opinião e contou com a presença do vice-presidente da entidade, Marco La Porta, e colaboradores de diversas áreas da organização.

Aída detalhou as dificuldades enfrentadas antes e durante a competição. Sozinha dentro da delegação nacional, sem técnico, equipamentos adequados para competir e com dificuldade de comunicação em outro idioma, Aída engoliu o choro para alcançar 1,74m e terminar a competição na quarta colocação do salto em altura. Nem mesmo uma torção no pé nas eliminatórias foi capaz de segurar a brasileira. O resultado de Aída se perpetuou por mais de 30 anos, até Pequim 2008, como o melhor desempenho individual de uma brasileira na história dos Jogos Olímpicos.

 “Ser mulher no esporte era muito difícil. Ainda mais sendo negra e pobre. Meus pais não entendiam e não queriam que eu praticasse esporte. Quando ganhei minha primeira medalha, meu pai jogou ela fora porque eu não trouxe dinheiro para casa. Foi duro, mas insisti”, recordou Aída, que continua atleta. Atualmente, joga vôlei na seleção máster do Brasil, modalidade que a filha Valeskinha conquistou a medalha de ouro olímpica em Pequim 2008. 

 O evento desta segunda destacou a evolução das mulheres em diversos segmentos do esporte. Hoje, o COB conta em sua estrutura com 128 mulheres e 108 homens. Nos cargos de liderança, 43,5% são ocupados por mulheres. Além disso, em parceria com a ONU Mulheres, a entidade elaborou uma Política de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral e Sexual no esporte. Outro fato a ser celebrado foi a bem-sucedida missão 100% liderada por mulheres, que retornou dos Jogos Sul-americanos de Praia Rosário 2019 com 26 medalhas.   

 “Escutar Aída dos Santos é um privilégio. Quem é apaixonado por esporte a tem como precursora e grande representante feminina nos Jogos Olímpicos. Hoje não tem nem como comparar, é um cenário completamente diferente. A busca por evoluir, por mais mulheres participando, é diária. Para entender de onde viemos e onde chegamos, devemos toda inspiração e reverência a atletas como Aída dos Santos”, exaltou Fabi, medalha de ouro em Pequim 2008, atuando ao lado de Waleskinha, e Londres 2012.  (Do COB)

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