Futebol feminino. Se deixar só com eles, vai demorar para engrenar

Palmeirenses comemoram um dos oito gols diante das sul-mato-grossenses - TV Palmeiras/Reprodução

O time Moreninhas estreou com sonora derrota por 8 a 0 do Palmeiras na estrela do Brasileiro feminino da segunda divisão na tarde desta quarta-feira. E, a tradição infeliz recomenda não criticar jogadoras e comissão técnica.

Aquele discurso de sempre: não tem apoio, estrutura, já é muito conseguirem entrar em campo e por aí vai. O representante de Mato Grosso do Sul no torneio foi montado às pressas no melhor (ou pior) estilo “pega umas jogadoras de um time, outras de outro, junta com o que sobrou e lá vamos nós”. O Estadual que valeu a vaga para o Brasileiro foi garantida em outubro de 2018. Quase cinco meses depois, o técnico, vale lembrar, sem experiência na função, não está nem há vinte dias à frente do trabalho com as meninas.

Duro cobrar algo. Porém, o conformismo com a situação é tão ou mais irritante. Clubes e federação estão longe de encamparem um projeto a médio e longo prazo para que, pelo menos, joguem fora de Mato Grosso do Sul em condição mais digna. Iniciativa privada então… deixa para lá. Se no “futebol principal”, o empresariado reluta em investir, imagina com essa “vontade” que os cartolas tem no trato com as mulheres em campo.  

“Ah, mas aqui nem o futebol dos homens tem apoio decente, querer que as mulheres tenham é complicado”. Olha, cobrar o mesmo tanto de verba, apoio, recurso, é fora da realidade, sim. O interesse, a repercussão, a audiência são realidades bem diferentes. Sem demagogia, até o público feminino prefere ver e torcer para os caras. O que não está errado. Se é questão cultural, técnica, ou outra, é conversa para outra hora e rende muito.

Entretanto, investir pouquíssimo ou nada é vergonhoso. Além da falta de visão. Aos trancos e barrancos, Brasil afora, o futebol feminino tem campo para crescer. De um jeito meio confuso, mas tem.

Pois, de um lado o Mundial Feminino deste ano, na França, terá jogos da seleção na televisão aberta. O Brasileiro da primeira divisão está longe de passar em qualquer canal de tevê. Opção é a transmissão por meio de twitter e olhe lá.

Futebol feminino tem que querer também. Desde empresas, dirigentes e, principalmente, as mulheres vestirem a camisa, forçar mesmo, se interessar, pedir mais espaço, cobrar, acompanhar. Porque, sabe como é né. Se deixar na mão da gente, às vezes demora…

Abraço

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